Gestão do conhecimento, não. Com conhecimento, sim.


Nesta compilação de aulas ministradas, há cerca de dois anos, em uma agência governamental, apresento uma serie de definições que, de certo modo, marcam uma fase de minha carreira de consultor. Numa onda bastante pragmática, apresento à plateia um modelo careta de gestão do conhecimento, mas já vou dando sinais do esgotamento desse veio que, apesar de aperfeiçoado desde 1999, tive que ressiginificar após os estudos sobre redes.

É claro que a aplicação desses modelos não deixa de ter seu valor prático, posto que os problemas por meio deles abordáveis seguem afetando as organizações. Mas o novo referencial, e mesmo algumas experiências empíricas a que, com base nele, me dediquei, já levam a crer que a ênfase em plataformas de controle deve ser trocada por valorização da interação e da ação política na “ocupação” desses sistemas sociotécnicos. O indivíduo, entendido como ativo passivo de análise de custo-benefício, deve dar lugar a uma pessoa que vive os processos de organização e neles se emancipa como sujeito.

A morfologia da palavra “conhecer” (co-gnoscere) já sugere um processo de intersubjetividade, de ação social. É algo que se faz junto com o outro e não apesar dele. Assim, a preocupação com a gestão desse movimento apresenta desafios análogos aos experimentados na observação de uma rede. Medir ativos explícitos de conhecimento (informação) é ação tão pouco produtiva quando a simples medição de conexões em um grafo. É uma fotografia, um instantâneo, que não retrata a dinâmica da interatividade que, em última instância, determina a qualidade dos processos.

De qualquer modo, como venho insistindo em meus escritos, as organizações encaram a gestão como um metadiscurso. Falam muito sobre o assunto, manipulam o jargão mas não vão além de trabalhar com contêineres vazios de significado. Os mapas estratégicos estão na parede mas a gestão não passa da organização prescrita para a real. Os modelos tradicionais de gestão da estratégia estão condenados ao fracasso, pois não conseguem passar da participação (quando existe) à interação e construção de um sentido comum à ação.

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